Sobre o CF | Música

Com o slogan “Ninguém te dá nada? Nós damos-te música!” nasce o Criticamente Falando Música, um blogue da rede Critical View que pretende trazer aos jovens o gosto pela música portuguesa, que muitas vezes é desconhecida em detrimento das internacionais, e é vista como algo mau.

O projeto conta com a promoção de bandas que ficaram esquecidas no passado, como Tara Perdida, Mundo Cão, Ornatos Violeta, entre outros, bem como enaltecer outras bandas existentes no presente, consideradas como boa música portuguesa no seu estilo. Ao contrário do que a ideia poderá surgir, o blogue não visa denegrir a imagem dos artistas ou bandas, mas sim as enaltecer pelas características que os/as tornam únicos/as. Conta também com imensas entrevistas exclusivas e notícias sobre tudo o que se passa no mundo da música.

Com uma linguagem simples e acessível, tentamos ao máximo cativar os leitores a participarem connosco nesta atividade importantíssima que é a crítica musical e a promoção da música portuguesa, palavras-chave deste projeto.

Todos os nossos artigos estão disponíveis gratuitamente, na Internet, em musica.criticamentefalando.com. O investimento é realizado na totalidade por toda a equipa, e todos aqueles que, por via monetária, contribuem para o projeto que hoje vemos, sem publicidade. Temos ótimos serviços que permitem o acompanhamento por parte do leitor, como alertas por e-mail, página no Facebook, Twitter, etc. Se nos quer ajudar, escreva um artigo ou faça um donativo. Ao efectuar o mesmo receberá um grande agradecimento de nossa parte.

Somos um projecto colaborativo. Não vivemos sem os nossos leitores que nos digam “Falharam ali”, “este texto não faz sentido” e outras frases que tal. Às vezes a culpa não é nossa. Somos perfeitos? Longe disso.

Portugal de Ferrinhos e Guitarras

Vivemos naquele país à beira mar escarrapachado que consome do mundo inteiro fiado, mas que consegue ter uma hortazita num canteiro de 3x1m e colher uns legumes, mesmo que acabem por saber sempre ao seu próprio surro. Consome-se todos os dias o mundo exterior como se vivêssemos para ele, mas não podemos generalizar. Há ainda lugares genuínos, em que nos podemos embeber de Portugal, saborear todos os traços de tradição, desde a simples casa caiada ao incrível auto-sustento, passando pelos extraordinários e pré-históricos princípios da troca de produtos. Em nada é atraso. É Portugal, ou era, sítio dos desenrascados e da classe remediada que não consta em nenhum livro de economia. Local onde a terra e o tempo ditam o que comes, e, apesar de haver grandes barreiras burocráticas e económicas, continua a haver remediados, infelizmente cada vez menos.

Todos temos um lugar assim, nas nossas vidas, uma província. E não nos esquecemos dos convívios, bailes e umas bandas tradicionais folclóricas. Mas nem por um segundo posso deixar de intervir com uma opinião pessoal, é mau. Nunca passei pela sensação de me agradar a ouvir umas senhoras esganiçadas a cantar sobre o fardo do pão e do trigo, acompanhadas pelos reco-recos, precursão de tambores e adufes e os temíveis ferrinhos, sem qualquer melodia, só ritmo. Essa é a mais portuguesa das cantigas, e sabe mal. No outro lado temos a simplista música popular portuguesa, com melodia mas ainda sem harmonia, conhecida como Pimba. Essa fusão de sintetizadores baratos e ritmos de caixa, que baseiam as suas letras no amor, que me obriga a falhar a minha tentativa de enumeração de temas, é de facto odiável. Claro que podemos por excepções em tudo, mas não se põe.

Se viermos a Lisboa e falarmos de tradição musical todos gritam um nome: o Fado, que é uma música rica porque foi alimentado por todas as culturas de Lisboa antiga. Começa nos marinheiros o primeiro fado corrido e todos sabem onde vão parar os marinheiros. Passou então a ser a música dos bordéis de Alfama e da Mouraria, e mais tarde seria adaptada por fidalgos que se aventuravam pela miserável Lisboa. Aí sim, se introduziu a grandiosa guitarra portuguesa, um instrumento burguês, e a poesia de alta-costura. Se me perguntarem a mim uma opinião sobre o fado, iria-me revelar apreciador, mas não a classifico como música popular portuguesa, pelo simples facto de não ser popular, mas Portugal adoptou-a como a música do povo, e lá ficou o folclore esquecido, por pecar em qualidade.

Fado, Futebol e Fátima, contínua a ser a realidade portuguesa, mas depois do 25 de Abril algo mudou, o acesso ao mundo foi suavemente introduzido. Mas o acesso passou a necessidade, e a necessidade passou a realidade. Temos hoje mais do que tínhamos, e a música tem hoje mais do que 3 dimensões. O Rock, Punk-Rock, New-Wave e até alguma música Alternativa invadiram a infância dos meus próprios pais como aos músicos portugueses. Portugal não vinha já a tempo dos gloriosos anos 60 e 70 da música internacional, mas apanhava o início dos 80 em grande estilo. Mais tarde, invadia também a música africana Portugal. Claro que o comum português gosta de música em que se possa roçar no sexo, e como no início do novo milénio já só o Toni Carreira fazia furor no mundo Pimba, decidiram torná-lo ainda mais insuportável e fundiram-no então com os estilos africanos do Quizomba.

O que vem de fora tem sido bem recebido na música, e em geral podemos dizer que hoje a música portuguesa é mais rica do que sempre foi. E enquanto o mundo se refugia na música pop e electrónica cada vez mais simplista, ou vive no passado ouvindo os clássicos, o nosso país tem música para dar e vender, e nunca faltarão bandas ou artigos, porque inovar é expandir, e o nosso país está numa expansão musical. Daí a divulgação, a promoção, a abertura a uma nova realidade musical, um movimento em crescimento, ignorado por tantos mas de qualidade.

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